terça-feira, 19 de outubro de 2010

uma, duas, três, quatro, havia muitas estrelas, havia mais de cinco estrelas no céu


uma, duas, três, agora havia poucas estrelas no céu.

não sei se alguém já percebeu, mas eu sou um pouco teimosa.
daí, não adiantam os lindos livros não lidos piscarem em verde-limão na minha estante, implorando por atenção. eu sempre acabo escolhendo um ou outro que significa muito pra mim. ou que já significou, um dia.
e, dia desses, relendo vidas secas eu meio que entendi o que acontece com os livros que mexem comigo. e, pasmem, eu meio que entendi o que acontece com tudo o que mexe comigo. o enredo, acaba que não importa muito. nada contra o fabiano, a mulher, os meninos e a cadela baleia (esta, obviamente, minha preferida) e a triste história deles nos rincões do nosso país. mas é que é tudo muito pouco quando comparado às palavras que o seu graci escolheu.

O menino mais velho esfregou as pálpebras, afastando pedaços de sonho.

eu leio isso e tenho vontade de chorar. e não é porque o menino mais velho estava acordando, entende? é porque aquelas palavras, exatamente aquelas, combinadas exatamente daquele jeito, essa história de afastar o sonho, é bonito demais.
e isso exerce um poder sobre mim, que está começando a me assustar.
desconfio que o meu caderninho de citações é um pouco patológico.

sofro de amor platônico pelas palavras...

alguém ajuda?


fabiano dava-se bem com a ignorância.
anos bons misturados com anos ruins. a desgraça estava em caminho, talvez andasse perto. nem valia a pena trabalhar. ele marchando pra casa, trepando a ladeira, espalhando seixos com as alpercatas – ela se avizinhando a galope, com vontade de matá-lo.

2 palpites:

Mariana disse...

Uma vez um autor falou que escritor é quem escreve com as palavras certas, escolhidas, encaixadas, porque ideias todo mundo tem. Acho que escritor é quem escreve bonito até a coisa mais feia do mundo.

Rêveur disse...

Tem umas coisas engraçadas na vida, né? Eu estou lendo Vidas Secas nessa semana, e tive que ler devido a uma prova de vestibular. Fiquei um pouco antipatizada no início, meio que com preguiça de ler esse livro. Outro dia, tomei coragem e acabei pegando ele na biblioteca, e o que aconteceu foi que me apaixonei pelo livro. E ei que estou aqui, passando pela minha revista de blogs diários e me deparo com esse texto seu, falando exatamente do arranjo das palavras de Graciliano, que tanto me encanta. Ele fala pouco, mas fala o bastante.
"Fabiano sempre havia obedecido. Tinha muque e substância, mas pensava pouco, desejava pouco e obedecia." Olha só, que coisa mais linda!!!